terça-feira, 16 de agosto de 2011

Deu peste nas galinhas!?

Esta história é uma das mais lembradas e repetidas pela tia Neusa, tia Tereca e tio Alceu. Eles presenciaram bem aqueles fatos.
As galinhas eram criadas soltas no terreiro. No fim do dia a vó Yolanda chamava-as com um "piri piri..."e todas corriam, da onde estavam, para comer milho. Não raras as ocasiões que uma sumia e retornava alguns dias depois com uma ninhada de pintinhos. As chocas defendiam seus filhotes correndo atrás de quem chegasse perto de suas crias. No anoitecer elas se empuleiravam nas árvores e em completo silêncio dormiam até despertarem pela manhã bem cedo com um alarido. Durante o dia passavam siscando, catando pequenos insetos para um lanchinho. No galinheiro ficavam as que iam ser sacrificadas para o almoço de domingo. Alguns dias antes eram tratadas com comida especial.
Certo dia, porém as coisas sairam da rotina. As galinhas, ao invés de siscarem tranquilas, apresentavam um comportamento estranho. Ao andar, dobravam as pernas e se desiquilibravam. Deu peste nas galinhas. Alguma doença tinha atacado as bichinhas. A vó Yolanda já estava pensando em falar com a vizinhança para compartilhar sua descoberta. Todos tinham que observar sua criação e se for o caso sacrificar as doentes para não contaminar todo o "plantel" da redondeza.
Ela andava por ali ainda planejando suas ações, quando foi até a casinha do forno e lá observou que o balde onde ela tinha colocado as uvas no dia anterior estava virado e algumas uvas, ainda estavam no chão.
Era comum em Tangará o preparado de um aperitivo feito de cachaça e grãos de uva. Com o tempo o sabor da uva soltava dando um sabor todo especial na cachaça. Quando a pinga acabava, a uva, que estava com alto teor de alcool, era descartada. O garrafão era limpo para o novo preparo.
Bem, daí para chegar ao diagnóstico foi fácil. As galinhas estavam de porre! Tinham comido as uvas da cachaça!
O remédio para a "peste"? Só esperar passar! No outro dia tudo estava normal. As galinhas siscavam no terreiro novamente!
Não sei se porque foi engraçado ver as galinhas cambaleando ou se foi o alívio de elas não estarem pestiadas, mas o riso correu solto na família. Até hoje. É só lembrar que as gargalhadas voltam!